sexta-feira, 15 de abril de 2016

Saber...



O velho que caminha à minha frente, no metrô, não sabe.
A mãe que comprou aquele ursinho de quinta categoria nas Lojas Mel, feliz pois poderia oferecer o regalo para a filha na época do Natal, não sabe
A barraqueira na fila do açougue não sabe
No ônibus, sobem dois moços... jovens, já um pouco carecas,  acima do peso, peso ganho com uma alimentação rápida, suja e gordurosa. A gravata feia e mal ajambrada, eles falam a respeito do dia a dia medonho e mesquinho, da meta a ser alcançada... eles não sabem.
A solitária do prédio ao lado, fala alemão, come comida natural, já viveu fora do país e voltou porque ama a família... ela não sabe.
Ele leu e não sabe
Ela viveu e não sabe
Eu também não sei quase nada... quase nada.
Olho e escuto todos eles, trágicos na sua ignorância de quem recolhe o pinhão no Bosque do Silêncio, para garantir o pão na mesa.
Olho e procuro escutar, naquela sala de espera da AMA... olho e quero entender como vivem aqueles que não sabem e nunca terão o direito de saber.
Como vivem, viveram e como será o futuro dos que não sabem e dos que sabem e querem que ninguém mais saiba.
O ano novo vai chegar... e ninguém quer saber.
A única coisa que importa é que não saibam...
Não saibam nunca... não devem nem procurar saber.
É podre, causa esgar...
Quase não se dorme, depois de saber...
Ou... dorme-se muito bem, dependendo que quem saiba!

Um comentário:

  1. Por quê não há comentário? Será que ninguém mesmo quer saber? Nem eu, nem você? Poderia simplesmente encher esta postagem de interrogações e mesmo assim não saberia nada daquilo que sabes. Quereria, talvez? Nada, não, é só vontade de pegar um trem destes que saem ao léu, como fazia na Luz dos anos 70, mochila, aveia e cenoura pra matar a sede e a fome, sempre curtas, pois o tempo era outro, como agora também é, mesmo depois deste Saber...

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