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sábado, 23 de maio de 2020

Testemunha ocular da história



Ouço o bordão do Repórter Esso, um noticiário histórico do rádio e da televisão brasileira que esteve no ar até 1970, na voz do lúcido e criativo Emicida. 
Ele diz que está cansado de ser “testemunha ocular da história”.

Eu entendo Emicida.

Também tenho andado cansada de testemunhar tantos fatos e fotos dessa realidade.
É muito fato, é muito pesado.
Falas, fotos, ao vivo para muitos, mortas para tantos.
Janelas, canções, panelas, discursos  - emocionados, vazios.
Revisão, posição, revelação, 
Espantos, surpresas, aproximações, distanciamentos.

Palavras vilipendiadas... terra vilipendiada... homens vilipendiados.

Sinto a mesma vontade de não ser testemunha ocular dessa história.

E estamos aqui... aqui e agora. Vivos, para noticiar, comentar, refletir.
É nosso encargo, peso, trauma, dever, destino, desígnio.

O olhar, meu olhar. Só meu.
Quem quiser, olhe comigo.