domingo, 14 de junho de 2015

Spoiler...

Bem que um spoiler seria bem-vindo.
Alguém que me contasse o futuro:


Voltarei para a Itália?
Farei a visita ao convento de Mafra?
Tomarei café no Algonquin Hotel?
E mais um Aperol no Florian?

Bem que vale um spoiler
Saber se vou pagar as dívidas,
se compro a bolsa nova,
o casaco que falta nesse inverno.

Spoiler para sentir antecipadamente,
o gozo no restaurante
o prazer na Venchi, do Eataly,
.................................................
ou se consigo escalar a montanha sem enfartar.

Ganho ou não ganho na mega?
Continuo tentando até que alguém me conte a verdade?

Se o Gianni Morandi vem ao Brasil!

Um saber antecipadamente que sim... sim, tudo vale a pena se a alma não é pequena!

                                                                                (foto nossa)

Até mais...
                                                                     





sábado, 13 de junho de 2015

Alguém cantando é bom de se ouvir...



Noite feliz
Algumas noites mágicas...
São mais felizes que outras.
Esta agora que já não é mais uma noite real...
É uma noite feliz.
Teatro de verdade, com a mãe e as amigas.
Bolo de fubá, um copo de leite gelado e Ovomaltine
Uma reprise perfeita com a realeza da música que referencia minha vida.
Sofá, Sofia,
E de repente um ícone do jazz, cara de dona de casa de propaganda de geladeira...
Me encanta. A voz, digamos assim, malucamente linda, doce, inesperada e canta Yesterday...
Pura mágica, um pouco de emoção, umas lágrimas por tudo, e um bebop redentor!
Algumas noites são assim plenas, amorosas...

As filhas e seus planos de conquistar o mundo...

As plantas, regadas,
A louça, lavada.
Piano, contrabaixo e bateria em harmonia.
Anita O’Day de tailleur
Bethânia descalça, samba com o irmão
Tereza D’Avila amassa o pão



 

sábado, 30 de maio de 2015

Um pouco de Patrick Modiano



“Nunca irei saber como ela passava os dias, qual era seu esconderijo, a quem via durante os meses de inverno de sua primeira fuga, e durante as semanas de primavera, quando novamente fugiu. Aí está seu segredo. Um simples, mas precioso segredo que os algozes, os decretos, as autoridades ditas da Ocupação, a prisão, os quartéis, os campos, a História, o tempo – tudo aquilo que nos empesta e nos destrói – nunca mais lhe poderão roubar”
                                                                       (Dora Bruder, de Patrick Modiano)



Último parágrafo... a leitura deixou a leitora atônita. A menina Dora, em fuga, percorreu ruas que hoje, nem o Google – essa besta do conhecimento – consegue mostrar. A literatura e a invenção, no entanto, tiveram êxito na busca. Acabei de percorrer ruas que não existem mais, lugares destruídos para que não saibamos de nada. Em todos os lugares da terra, há pessoas especialistas em apagar vidas, pistas, sonhos... eles trabalham com afinco. Mas, o autor sonha e realiza cada passo dos esquecidos. É disso que trata esse romance maravilhoso! Cartas encontradas nas bancas do centro da cidade, pacotes esquecidos no canto do edifício em ruínas, o fundo da gaveta... tudo o que a modernidade “desapega”. É lá que estão as vidas que devemos recordar e homenagear sempre!

Até...

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Nenhum texto...

Estou esperando que se apresente...
Ele não vem, eu não vou.

Nenhum texto há um mês da volta daquela viagem.

Nenhum trabalho, nenhuma vontade...

No começo, estranhei e me perguntava, quando?
Os dias foram passando e impressões foram ficando para trás.

Nenhum texto. Sinto pena... pena de mim, que não consegui escrever.

Acabei de lembrar do Alphonsus de Guimaraens... (E o sino canta em lúgubres responsos:"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"), in A Catedral!

Mas o sonho desta noite despertou uma vontadezinha... pequenina e solitária.

Sonhei com os amigos, que me levaram a uma viagem de volta... de verdade, de mentira, sonhada, realizada... sonhada novamente.

Nos encontramos em um hostel, com camas beliche, quartos estranhos, colchas no chão... sem lenço e nem documento - eu; eles, não - sentia falta de um casaco que me protegesse do frio! Ladeira acima, na Itália onírica. Sem lenço, nem documento...  em meio a uma multidão que procurava o que ver, o que guardar para recordar...

A impressão viva de compartilhar com os amigos uma viagem estranha e desafiadora... sem dinheiro, sem casaco...

Surreal... como são os sonhos!

Um pouco como a sensação de escrever nada, nadinha a respeito da última viagem!

                                              (googles images)



sábado, 14 de março de 2015

Caderninho de anotações



Ocidental

Onde está Susan Sontag que anotou: “Death has finally become real” naquela letra tremida?
Onde estão Capitu e as frases longas e perfeitas de Proust? 

O verso mais que perfeito de João Cabral de Melo Neto?
A luz de Van Gogh e as cores esmaecidas das gravuras japonesas?
Onde estão os anjos na biblioteca, aqueles que ouvem nossos desejos mais profundos, os anjos de Wim Wenders?

Onde estão a sinfonia de Mahler e A litlle help from my friends?
O chá de Alice... a Tereza, de  Bernini...
O haikai de Millôr, aquele em que o menininho tenta recuperar suas lágrimas?

Ou se crê no absoluto tudo e, com esperança, aguardamos o retorno de Jules e Jim, a transfiguração de D. Quixote em cavaleiro do futuro...

... ou no nada eterno, profundo, único, trágico e, então, todas as coisas se apagarão com o nosso medo da morte, nosso medo da feiura, do peso da verdade dos insensíveis...

“Que fim levaram todas as flores?”   


domingo, 8 de março de 2015

É a vez dela.



Minha mãe nunca me levou para a escola... nós, as crianças da rua Corondá, íamos sozinhas ou em grupos de amigos que moravam na mesma rua. Isso quando estudávamos no mesmo período! A escola era sempre bem pertinho - a minha ficava na "rua de trás". Nunca soubemos - a maioria de nós - como era ser levado à escola pela mãe. As mães trabalhavam muito em casa, tomando conta dos outros filhos que tinham e fora dela, em outras casas, ajudando, limpando, cuidando dos filhos das patroas. No caminho para a escola, sempre havia alguém olhando pela janela, tomando conta, acompanhando a molecada. Era um tempo solidário, feliz. Éramos pobres de Nelson Rodrigues, felizes como os de Viriato Correia!
Hoje, levo minha a mãe à escola de inglês, duas vezes por semana.
Ela chega feliz, conversa com as amigas, tem a aula, faz a lição, toma um lanche. Eu fico esperando, sentada em um banco da nave da Igreja de São Francisco de Assis, onde a professora tem uma sala de aula para a terceira idade. Aproveito, leio um pouco, penso coisas boas e recebo a energia das pessoas que passam por lá. É silencioso e me sinto muito bem...
São dois dias calmos. Uma nova rotina, boa rotina... 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Nossa, não ouvi!

É assim mesmo que eu me sinto muitas vezes! Não é alienamento, não é esquisitice, não é uma atitude blasé... não. Parece apenas que ainda estou esperando um sinal que vai bater e vai me libertar dessa cadeira na qual eu não caibo mais. Por que fiquei sentadinha aqui? Acho que gostava da sala, das pessoas, até do discurso que ouvi durante todos esses anos. Mas, agora, a coisa está sem graça. O problema é que minhas pernas estão encaixadas e tenho dificuldade de sair dessa posição. Acho que vou esperar mais um pouquinho... quem sabe o texto muda. Quem sabe! Esse Laerte é fogo (queria dizer foda, mas algo maior me impede)... sabe bem como fazer a gente pensar a respeito de tudo!