terça-feira, 22 de setembro de 2026

De volta para o futuro - óbvio e importante.

 O título do filme famoso nos anos 80 - De volta para o futuro - sempre chamou a atenção dos que tem curiosidade sobre o futuro. Mas, o mais importante nesse filme é descobrir que é o passado que determina o futuro, futuro que não existe sem essa premissa. 

Pensando nisso, quero contar do convite que recebi da nova amiga Maris, a nora da Andrea Moraes, que vocês já devem ter visto por aqui.

A Maris tem, há muito tempo, um trabalho com uma ONG que lida com jovens do interior do país. Jovens que como todos os jovens tem sonhos, desejos, vontade de estar no futuro. Um futuro próspero como é o direito de todo jovem. Faltava nesses encontros um Clube do Livro.

Como ela conhecia o Clube do Livro em que participo, junto com mais 5 amigas, de boas leituras e conversas, resolveu me convidar para fazer parte desse novo Clube que pensou, para ajudar na orientação desses jovens rumo ao futuro.

Aceitei na hora, primeiro porque leitura sempre me deixa curiosa; segundo porque estar em contato com  jovens novamente me deixa alegre!

Juntar curiosidade e alegria, juventude e futuro, novos e velhos amigos, paisagens nunca visitadas, conceitos e palavras novas, usadas tanto pela Maris, quanto pelos jovens que compartilharão a nossa leitura... tudo isso me coloca em movimento.

As duas primeiras leituras escolhidas, por si só já são um desafio. O Futuro Ancestral, de Ailton Krenak e Canção para ninar menino grande, de Conceição Evaristo. Desafiantes, porque tem características bem peculiares.

Krenak recita seus textos e nós esperamos sempre o registro em texto. É na oralidade que nascem as discussões profundas que ele propõe. É uma passagem perigosa e importante essa da linguagem oral, para a linguagem escrita. Perdemos aqueles momentos de emoção da tonalidade da fala, da ênfase no termo mais importante daquela ideia única. Mas, conquistamos um registro que ficará na página de papel. Papel, essa descoberta maravilhosa que permite à humanidade compartilhar suas melhores ideias. Também compartilham ideias tenebrosas, que podemos conhecer e refletir, com consciência, a partir da leitura. Quando penso nos registros ancestrais que temos da história do homem, quando penso nos homens que as anotaram, sempre me emociono. Que incrível é poder escrever e poder ler. Que incrível é ler Ailton Krenak.

Nesse livrinho, Krenak nos apresenta o conceito de "florestania". Há tanto o que pensar a respeito disso, nesse momento crítico da história do planeta, não é?  É isso e muito mais.

Conceição Evaristo é daquelas autoras por quem nos apaixonamos no primeiro parágrafo. Ela, como eu, é uma professora. É uma professora amorosa e  conta história a partir da sua vivência. Nos apresentou à palavra "escrivivência". Escrever o que viveu. A partir das suas pessoas, dos seus lugares, dos afetos e desafetos, das ilusões e desilusões que experimentou. A pura vida, ficionada!

É disso que precisamos para entender nosso tempo. 

Livros que falam do futuro.

Livros que falam do passado.

Um futuro ancestral que, de volta para o futuro, nos faça pensar em nós mesmo, nas nossas pessoas, lugares, afetos e desafetos.

O Clube do Livro proposto pela Maris, da https://mariscocriacao.com.br/, para o qual fui convidada a participar, vai nos levar - ela, os jovens do interior da Paraíba e eu - para encontros de leitura, troca e, portanto, de alegrias singulares. Como recusar?




É isso!

quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

Two ladies!

 Eu sempre tive os dois pés atrás com umas certas "bispas" que existem por aqui. São de um cinismo que me causa engulhos. Falam uma coisa e fazem, descaradamente, outra. Nunca lerem ou estudaram uma linha de teologia ou filosofia ou de qualquer outro conhecimento que forme, de fato, os que procuram conhecer os princípios de sua fé. Nem precisam disso para seus propósitos "religiosos". No entanto, "só a mais leve esperança em toda vida"... Ouvi, no mês de novembro e há dois dias, dois sermões que me deixaram um pouco mais calma em relação aos bispados femininos. O primeiro foi durante a viagem que fiz, numa visita à Catedral de Sant Paul, em Londres. Esperamos entrar depois das 5 horas, quando não se precisa pagar a visitação, pois é o horário do culto. Naquele dia, haveria uma celebração especial com a bispa de Londres. Ficamos curiosas e resolvemos assistir à cerimônia. Foi interessante presenciar os ritos e o coral foi belíssimo, sem contar que a catedral é linda. Na hora do sermão, com o auxílio da filha, entendi tudo. Ela falou a respeito do advento que se aproximava, falou dos temas da religiosidade e falou dos sem teto que encontramos nas ruas; dos refugiados, que sofridos buscam um lugar no mundo para viver; das guerras, das diferenças e dos que sofrem por elas. Falou dos males e crueldades impostas ao mundo por aqueles que detém o poder econômico, midiático. Saí bem impressionada. E há dois dias, outra bispa de verdade, pronunciou um sermão que repercute no mundo abismado com as loucuras que andamos tendo de ouvir... Minha pouca fé no ser humano é testada todo dia e o resultado nunca é favorável à humanidade, mas há momentos assim, em que as mulheres aparecem como sempre as imagino, como fortes, inteligentes, destemidas. E como elas são, quando resistem e submergem desse atoleiro que é o patriarcado. Vimos, nos últimos dias, como é difícil e doentio tentar sobreviver à raiva - como bem explicou Milly Lacombe - numa manifestação a respeito de mais um caso de abuso psicológico contra mulheres, que está sendo discutido nas mídias. E ainda tivemos o orgulho e a esperança de ouvir mais uma mulher incrível do nosso tempo...Angela Davis. Vocês ouviram?





Pela primeira vez na história, a Igreja Anglicana nomeou uma mulher para ocupar um dos mais altos cargos da hierarquia da instituição. Sarah Mullally, uma ex-enfermeira de 55 anos, foi nomeada bispa de Londres... 



É isso!

quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

Que comecem as leituras!

 Bom dia, amigos! Eu leio boas histórias, desde muito cedo. Lá em casa, por obra de um destino misterioso e incrível sempre teve algo para ler. Minha mãe conta que, ao casar com meu pai, ele fez uma assinatura do antigo Clube do Livro, porque sabia que ela gostava de ler e ele também. O amor tem dessas delicadezas. O casamento durou pouco e anos de luta pela sobrevivência se aproximaram, com o pouco dinheiro somente para a comida e aluguel. Minha mãe, vocês sabem, é uma força da natureza - para usar o melhor clichê possível - fez tudo e muito mais para dar tudo certo. Os livros do Clube do Livro ficaram por lá. Eu fui achando e lendo o que descobria... José de Alencar, Machado de Assis foram quase que minhas primeiras leituras. Mas, há um dado particular nessa história, que poderia ser melancólica, mas não é. Meu pai foi embora, mas sempre nas datas especiais - principalmente natais e aniversários - ele nos presenteava. Muitas vezes, foram livros. Já contei que ganhei dicionários e outros livros dele. Aquela coleção da Melhoramentos de clássicos infantis era o que mais me atraia. Foi meu irmão quem ganhou a maioria deles, mas eu lia primeiro ( ou depois ? ). Então, conheci os classicos Peter Pan, Alice, Gulliver, Os irmãos corsos e tantos outros ainda menina. Será que foi essa a fundação da leitora que sou? Talvez. A mãe leitora só descobri, quando a vida foi ficando menos pesada. O pai leitor só via naqueles encontros breves, mas muito significativos. Da escola, veio o primeiro livro de leitura que tenho até hoje ( o meu original foi perdido, mas uma amiga de outros tempos, me presenteou com o dela ), os livros perdidos nos fundos das gavetas de casa, as revistas da vizinha, mas acima de tudo os Clássicos da Melhoramentos fizeram, sim, a leitora que sou hoje. Acho que já escrevi quase tudo isso antes, mas hoje lembrei de tudo, novamente, pensando nas próximas leituras que farei. Estão sendo lidos Cem anos de solidão, de GGM, conforme já falei dias atrás; Escalavra, de Marcelino Freire e tem um especialíssimo que ainda não comecei, mas está na cama, ao lado do meu travesseiro principal: 2666, de Roberto Bolaño, emprestado pela grande leitora Andréa Moraes. Olho para o calhamaço de Bolaño, pensando nas maravilhas que virão dele... E vamos em frente!

( 10 anos separam as fotos, que homenageiam Alice e Peter Pan, a quem dedico a inspiração desse texto sincero )




É isso! Vamos ler?

domingo, 22 de dezembro de 2024

Senhores! Que dezembro!

 Senhores! Que dezembro!

Meu dezembro, começou em novembro! Juro que foi assim!

Começou com a viagem. Cansei meus amigos de tanto postar foto da viagem. Com elas, sem elas, com o fato do dia, na estica, descabelada de ventos e chuvas, com gorro, sem gorro, em frente às atrações turísticas, em frente ao sonho de adolescente ( haja adolescência, quando se realiza um sonho desses! ). Comendo, comprando, no metrô, na rua, na fila do teatro. Cansei meus amigos de tudo e, ainda agora, canso, com as repetidas vezes que conto uma das eventualidades da viagem.

Viajei, para ver a filha mais velha. Coisas que vida trama e nem nos prepara para isso. Lá foi ela no último janeiro ( ou foi no começo de fevereiro? ) viver seu momento mais incrível! Trabalhar, viver só, conquistar o que sempre foi seu! O futuro!

Então, o traçado da vida dela se emaranhou no meu traçado de sonho. 

Viajei na companhia da filha mais nova. A que organiza o movimento! Considera e conhece os prós e contras. Contabiliza. Pesquisa. Promove. A que me fez sonhar meses antes, quando colocou o cartão postal da cidade bem em frente, no espelho, à minha vista, para que eu fosse concretizando a viagem!

Lá ficamos 18 gloriosos dias, juntas, rindo, chorando, brigando, fazendo as pazes, comprando biscoitinhos, cuidando dos pés cansados (  a retina, não! Essa não cansou nunca ).

Tudo se encaixou. Absolutamente tudo! Inclusive a presença tranquilizadora da Lia e do André, cuidando da minha mãe. 

E, na volta, teve um contratempo. Mas, também o contratempo se organizou e se desfez, sem deixar sequelas. 

A amiga perguntou: o quê não deu certo? Ela gosta de saber de tudo. Amiga: sei lá, não lembro mais. Não lembro da mala quebrada; do metrô na hora da saída de trabalho ( quando, na verdade, deveríamos estar numa carruagem, puxadas por alazões brancos com aquelas penas vermelhas no topo da cabeça ), das caminhadas intermináveis e randômicas que causaram a bolha e a dor no pé mais federal que já senti; de todas as vezes que o roteiro teve de ser refeito, dos ventos fortes que fecharam as estações do metrô, do capucchino em pé e da bronca afável do barista. Sei lá, amiga! Deus tudo certo!

E aí, o dezembro estendido, que havia começado em novembro, realmente chega! Comemorei o aniversário de maneira piramidal! ( quem ainda não entende o uso desse adjetivo de que gosto tanto, procure um filme bem bonitinho chamado: Anjos rebeldes, com uma Rosalind Russel adorável! )

Voltamos e imediatamente o dezembro foi ficando mais fenomenal. Fui ao show do Caetano e da Bethânia. Duas vezes! Duas vezes! 

É que quando comprei os ingressos lá pelo meado do ano, dei uma bobeira. Na compra, que deveria ser para três, comprei para duas e quando voltei ao site, para a terceira compra, é claro que não havia mais ingresso. Só me restava rezar para uma data extra, que saiu! E aí, eu comprei. Por que tanto drama?

Well... As duas amigas que me acompanharam eram especiais. A primeira, nunca tinha ido a um show em estádio. O que considero uma falha que deve ser corrigida. Corrigimos! Ela curtiu. Teve de relevar alguns contras.  E eu, por minha vez, fiz a companha dos prós, com todo empenho, para que tudo fosse perfeito. E foi! Aproveitamos muito. O repertório, as vozes, a multidão viva e dançante. Todo o clima do estádio.

E a terceira pessoa? Bom, ela é mais que uma amiga. É uma querida que está na minha vida há muito tempo. Temos boas histórias, somos família, somos sobreviventes do caos. Do caos que a família pode ser. E temos muito o que compartilhar. Desde aquele dia no Theatro Municipal em que batalhamos uma entrada da para ver o Baryshnikov, até o show do Queen, num estádio sem celulares, com as alegres luzinhas de isqueiros. Como foi nosso show? Imaginem. Cantamos, dançamos, choramos, rimos, fizemos fotos que não ficaram boas, é claro! Tudo como tem de ser, quando estamos em "estado de graça".

E agora já é quase véspera de Natal. Ela chegou, com a minha arvorezinha, cheia de quinquilharias, do jeito que eu gosto; com os anjos que demoraram um pouco para serem encontrados - isso é quase uma tradição, para mim -; com almoço da família, as idas ao mercado, a angústia própria da época. Uma angústia que é como uma nostalgia do que foi e do que não foi.

E hoje, me bateu aquela vontade de contar como foi tudo isso. Como está sendo tudo isso.

Só falta o Auto da Compadecida, com a camiseta que comprei há meses!

Só sei que foi assim...










quinta-feira, 26 de outubro de 2023

Amor

 "Que pode uma criatura senão,

entre criaturas, amar?

amar e esquecer, amar e malamar,

amar, desamar, amar?" (CDA)

Ontem, fui ao show de lançamento do songbook de Dori Caymmi. Ao ouvir duas de suas canções de amor na voz de Sergio Santos, cantor apaixonado, me vi apaixonada.

Naquele momento único, me apaixonei - perdidamente - pela voz, pela palavra, pela melodia e chorei.

Sentindo cada nota se transformando em lágrima, comecei a pensar em mim mesma. Na ausência de um amor companheiro, de um amor devotado, de um amor físico e espiritualmente identificado e sentido.

Tento entender o porquê. Foram as muitas noites e dias de leitura? Foram os museus e suas belezas infinitas, retratando os amores reais e fictícios? Foram os poemas que li, naquela quartinho dos fundos da casa da amiga, quando era uma adolescente? Foram os amigos de cabelos longos que conheci nos anos 70? Foram os desconhecidos que diziam coisas lindas, nos encontros inesperados, durante as caminhadas, as viagens, as salas de aula? Foram as canções, cantadas em inglês que nunca entendi de verdade? Foram as flores perfumadas, ao longo da ferrovia?

Onde aprendi que o amor é de uma tal maneira estonteante, que, definitivo, marca a vida e dá sentido a ela?

Todos temos de ter uma amor assim, como o cantado por Sergio Santos? 

Então, minhas lágrimas foram de saudades do que não existiu. "Do que não tem conserto e nunca tera". 

Já estou aqui, num momento da vida em que as coisas todas estão desenhadas pela realidade. Não tem poesia que a transforme.

Não amei, como nas minhas amadas canções.
Não encontrei o amor, como nos meus romances preferidos. Nem sofri como neles.
Não escreverei, ou beberei, ou arrancarei meus cabelos, como nos filmes italianos.
Não deixarei um livro de memórias, para que saibam como amei e fui amada.
Não receberei uma carta de amor.
Não rasgarei uma carta de amor.

Mas, continuo vivenciando espetáculos da arte, imaginados pelo amor. Dori Caymmi, Chico Cesar e Geraldo Azevedo, Matheus Natchergaele, Tchekhov e todos que vocês me veem comentando, compartilhando...

Ah, Drummond, "o que pode uma criatura"?

É isso, amigos! Hoje acordei, toda trabalhada na Emma Bovary.

Caspar David Friedrich - O andarilho acima do mar de nevoeiro



segunda-feira, 11 de setembro de 2023

Brega e chique

 

Um dia eu comprei um vestido feio. Era daqueles feio mesmo, como aqueles que ficam na primeira barraca da feira. A barraca de roupas ( será que ainda resistem? ), com calçolonas de malha de que vizinha velha velha gosta, com as calças de lycra, os pares de meia marrom, os panos de prato feinhos, as chinelas falsas, tamancos... Não comprei na barraca, mas parecia. E usei! Essa semana, lembrei disso. Como eu fiz isso? Por quê? Lembro de mim, atravessando a rua, com chinelinho e vestida com aquele vestido feio. Ventava e o vestido tinha fendas até o meio da canela. Nunca gostei de fendas. Nem em vestido, nem em calças, como essas que estão na moda. Que estranha é a vida, quando você lembra de que já usou um vestido feio. Mas, não é só isso. Eu fui a um show de sertanejos brega, numa churrascaria em São Bernardo do Campo. Isso mesmo. Nesse dia comi polenta frita e ao lado havia uma família barulhenta. Conseguiram ver a cena? Fui  a uma excursão de ônibus, para Peruíbe. Comi lanche ruim, com refrigerante. Fiquei picada de mosquitos. Tive um LP do Wanderlei Cardoso e ouvia muito.  Não é estranho?

Parece uma outra vida.                                  

Hoje, eu não faria nada disso, não compraria um vestido feio.

Eu ouço música velha, daquelas que ninguém mais lembra. Adoro uma feira. Se pintar, compro no brechó. 

Hoje me sinto mais equilibrada, com minha calça preta e minhas camisetas. Vou a uns shows históricos. Passei tinta colorida numas mechas do cabelo branco e achei o máximo.

Diga-me o que vestes, o que ouves, o que comes, o cabelo que tens e te direi quem és!

Será mesmo?



 

 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

02/01/2023 - A Rampa


 

Rosangela sorri para o Presidente.

Jucimara, a de semblante mais ensimesmado, pensa o quê?  No momento? Na vida e no dia a dia? Uma mulher sempre pensa.

Raoni sobe, com o olhar de quem já sabe tudo. Sereno. Forte. Emocionante.

O Presidente cuida da Resistência. Olha, para ter a certeza de que sabe para onde ela vai. Resgatada, ela, a vira-lata simbólica, está à frente de todos. Olha para um outro lugar...



Flavio, o artesão, tem metade do rosto escondido pela imagem do presidente. Ele usa óculos. A vista gasta na artesania da vida?

Mais atrás, outro brasileiro de óculos, sobe a rampa num momento nunca antes imaginado. Sua mulher está com ele. Eu queria ser a mosquinha que ouve os pensamentos dele. Tenho algumas hispóteses, mas será que são sustentáveis?

Francisco, o menino de Itaquera, é identificado como "o garoto Francisco". Mas, veja bem. Ele olha para Resistência, tem muito ainda que resistir. Tem sonhos. Sabe que também pode ser presidente. Ele é muito mais que "o garoto Francisco".

Ivan Baron, sorri, de mãos dadas com "o garoto Francisco", usa bengala, um terno com história. Sorri, de óculos, para a Rosangela ou para o Presidente? Um sorriso aberto, valente, feliz, bonito, confiante, forte. 

Wesley é metalúrgico. Significa. Tem o semblante sério como o de Jucimara. Olha para frente. 

Murilo Jesus está atrás do funcionário do cerimonial. Até quando? Não vemos seu olhar. Haverá um momento, logo depois, que saberemos quem é ele. Mas, nessa foto não. Está atrás. Sei que ele é professor formado em Letras. Identificação e esperança é o que nos move. Me identifico com o professor. Tenho esperança de que ele seja visto.

Todos sobem a Rampa. Uso maiúscula, porque foi uma Rampa especial. Única. 

A História terá de lidar com essa Rampa.

Vamos ter de analisar, conversar sobre, replicar a ideia, perpetuar.

A emoção de ver essa foto será sentida todas as vezes em que ela se apresentar.

Emoção e reflexão.

Falta alguém na foto... e isso diz muito a respeito da foto.

Faltou Aline Sousa. Quase não nos damos conta.

Ela irá colocar a faixa presidencial em Lula.

Aline Sousa, subiu de mãos dadas com o artesão. Catadora de materias recicláveis, 33 anos, liderança do Movimento Nacional de Catadoras. Presente!