quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Guerra

Fiquei comovida quando vi, em 2010, na Rue de Rennes, em Paris, uma rosa pendurada em uma porta alta, larga, escura... fiquei comovida com o placa que dizia que ali havia tombado um patriota. A 2º guerra sempre foi um tema que chamou minha atenção. Com certeza, devido aos inúmeros filmes a que assisti nas tardes da sessão da tarde. Em casa, depois da aula, via Fred Astaire dançando para manter o teatro aberto, em tempos de combatentes fora do pais; lutando pela liberdade - e todos os clichês a que somos expostos - adorava os "esforços de guerra". Era o jeito americano de lidar com aqueles tempos duros. Vi também a volta dos soldados amargurados que foram voltando mais amargurados - o contato com a realidade - ao longo de tantas guerras. Escrevendo isso, lembro do maravilhoso Amargo Regresso, já na guerra do Vietnã. Não sei quando comecei, mesmo, a assistir aos filmes do neorealismo italiano. Uma experiência completamente diferente. Um cinema completamente diferente. Mas, sem dúvida, Roma: cidade aberta, foi um choque, uma emoção, quase uma catarse. Quase, porque afinal o que eu sabia daquilo tudo? Nada! Mas o cinema foi me dando pedaços da história que me levaram àquele momento de comoção, em frente àquela porta. 
A mesma coisa aconteceu nas ruas de Milão.
 
Viajando trem, curtindo as paisagens daquelas cidadezinhas italianas com nomes como Passignano - como era mesmo aquela paisagem?- posso ver as construções antigas, pontes, torres que parecem ter mais de cem anos. Algumas ruínas lembram cenas daqueles filmes antigos... É inevitável inventar histórias, imaginar homens, mulheres e crianças escondidos naqueles lugares, cruzando aqueles rios, buscando um lugar seguro, depois de terem sido obrigados a fugir. Recebendo a solidariedade de estranhos. Repartindo o medo, a fome e a esperança. Tudo em preto e branco. O cinema romantizou a guerra - ou como diz Rosselini, "seduziu o espectador" - até mesmo procurou mostrar com realidade as grandes histórias, mas daqui,olhando pelas janelas de um trem, posso ver e ouvir o passado... e crias meus próprios roteiros.

É isso...



4 comentários:

  1. Realmente o cinema, a música, a literatura - tudo nos dá um pedaço da história! Um beijo!

    ResponderExcluir
  2. Adoro ouvir, ler...as suas referências que dão riqueza à história. Um tema tão desumano consegue-se perceber, de alguma forma, a delicadeza das pessoas que estiveram envolvidas de um jeito ou outro no acontecimento. Bjs.

    ResponderExcluir
  3. O legal é a rede, a rede de conhecimento, de informação... de tudo que lemos e que aprendemos com os amigos! A cada texto, um pouquinho de cada um de vocês!

    ResponderExcluir