segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Curitibanas

Estamos aqui, a Paula e eu, quase indo embora...
Andando...descobrindo Curitiba, se perdendo em Curitiba!
Fotografando a Serra nebulosa, comendo banana todo dia!!!!

fotos...só mais tarde!
espaço Niemayer...fotografias, Vik Muniz e uma passagem corrida pelo Olho! Querem saber? Só mais tarde!
Paula e Elaine (aguardando Janeiro)

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Vamos em frente!


Alunos interessados em Literatura fizeram uma bela leitura de Leite Derramado. Foi bom, meu bem!!! E então, um interesse novo por literatura africana. Surpresa e uma vontade de falar mais a respeito. Aqui vai:
Começar por Luuanda, de José Luandino Vieira, editado - finalmente e felizmente - pela Cia das Letras. Desperta a vontade de conhecer mais aqueles seres humanos que, vivos, nos mostram um pouco da sua realidade.

"[...] A questão da fome, a questão da repressão, a questão de surgirem personagens de camadas e classes sociais que, até aí, eram segregadas da literatura, parece-me (hoje, a esta distância, tanto quanto me vejo, até como personagem do meu próprio destino), parecem-me correctas... Quando escrevi o Luuanda a minha preocupação era ser o mais fiel possível àquela realidade. Se a fome, a exploração, o desemprego, surgem com muita evidência, não se trata de uma atitude preconcebida, de uma atitude consciente. É porque isso era — digamos assim — o aquário onde meus personagens e eu circulávamos... A questão da linguagem já não é tão inocente assim... Muito embora não pretendesse fazer uma cópia fiel da linguagem utilizada pelas camadas populares luandenses. Tenho que reconhecer — para o caso do Luuanda — que em certa altura eu achei até que teria um significado político: demonstrar que, na própria língua do colonizador, a nossa diferença cultural nos permitia escrever de modo que era difícil, ao próprio colonizador, entender o nosso código linguístico. Mas essa parte deliberada na criação de uma linguagem é apenas uma excrescência. Porque o meu intuito era (não consegui, com certeza!) criar uma linguagem ao nível literário a partir dos mesmos processos e das estruturas linguísticas bantas da região de Luanda. Que fosse homóloga da linguagem popular e não a sua cópia ou a sua reprodução [...]."

(Excerto de uma entrevista dada por José Luandino Vieira
a Pires Laranjeira, em 1994, para a Universidade Aberta)


quinta-feira, 10 de setembro de 2009

"Virada da Educação"

Em outubro, SP haverá uma 'virada da educação', com foco no professor

Em outubro, o professor da rede pública municipal vai trocar o giz pelo violão, pelo pincel ou pelo microfone. Pela primeira vez, a cidade será palco de uma virada da educação, o "Valeu, Professor!", com 24h de arte, cultura, esporte e lazer espalhadas em parques, museus e nos Centros Educacionais Unificados (CEUs). A festa começa às 18h de 2 de outubro e vai até o dia seguinte. O mês inteiro haverá atividades especiais.
A novidade é que os educadores poderão revelar seus talentos ao público. Os músicos se apresentarão de madrugada no Mercado Municipal. Os escritores e poetas mostrarão suas poesias e contos na Casa das Rosas e nos CEUs. Os artistas plásticos vão expor suas pinturas e desenhos em um vernissage no prédio da Prefeitura, no Viaduto do Chá. De lá, as obras seguem para estações de metrô.
Mas alguns eventos serão exclusivos para os mestres. Estão programadas visitas noturnas à Pinacoteca e ao Museu da Língua Portuguesa. No Mercadão, aulas de culinária com chefs de cozinha. Na Galeria Olido, haverá sessões de cinema e aulas de dança de salão. Já o esportista pode escolher entre participar de uma bicicletada noturna pelas ruas do centro velho, que pretende reunir até 500 professores, ou de uma caminhada pelos pontos históricos da cidade. No Parque do Ibirapuera, estão programados cursos de jardinagem ou visita ao planetário. Em 16 CEUs, haverá uma programação especial com filmes, peças, atividades físicas e bailes.
"A nossa ideia é valorizar o trabalho do educador, colocando-o no centro da virada como protagonista em outras áreas como música, literatura e artes plásticas", explica o secretário da Educação, Alexandre Schneider. Para mais informações e inscrições para as atividades, acesse www.prefeitura.sp.gov.br/valeuprofessor.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Pois, é...Balzac.


"Talvez algumas pessoas nada mais tenham a ganhar perto das pessoas com as quais vivem; depois de lhes ter mostrado o vazio de sua alma, sentem-se por elas secretamente julgadas com uma severidade merecida; mas, tendo uma necessidade invencível de elogios que lhes faltam, ou devoradas pelo desejo de parecer possuir as qualidades que não póssuem, esperam surpreender a estima ou o coração daqueles que são estranhos, com o risco de se decepcionarem um dia. Enfim, há indivívuos que nasceram mercenários e não fazem bem algum a seus amigos ou a seus parentes porque eles lhes devem; ao passo que, ao prestar servicos a desconhecidos, disso recolhem um ganho de amor próprio: mais o círculo de seus afetos está próximo, menos o amam; mais se amplia, mais prestativos são." ( Pai Goriot, de Honoré de Balzac)

Então, invísiveis leitores, ele sabe tudo da alma humana...concordam?

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Coração das trevas



"Que curiosa a vida é - este misterioso arranjo de impiedosa lógica a serviço de um propósito fútil. O mais que podemos esperar dela é algum conhecimento de nós mesmos - que infelizmente chega tarde -, uma safra de arrependimentos que nunca se extinguem."

" Mostremos a eles que existe em nós algo realmente lucrativo, e não haverá limites para o reconhecimento de nossas capacidades."

"Mas tanto o amor diabólico como o ódio sobrenatural dos mistérios em que ele penetrava lutavam pela posse daquela alma saciada de primitivas emoções, ávida de fama enganosa, de falsas distinções, de toda a aparência de sucesso e poder."

( Joseph Conrad)

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Memória de elefante


Então...a Flip deu alguns resultados. Entre eles, a leitura do romance inaugural de António Lobo Antunes, Memória de elefante...Aqui vai um excerto.

"...acocorei-me a chorar ao pé de ti repetindo Até ao fim do mundo, até ao fim do mundo, até ao fim do mundo, certo da certeza de que nada nos podia separar, como uma onda para a praia na tua direcção vai o meu corpo, exclamou o Neruda e era assim connosco, e é assim comigo só que não sou capaz de to dizer ou digo-te se não estás, digo-te sozinho tonto de amor que te tenho, demais nos ferimos, nos magoámos, nos tentámos matar dentro de cada um, e apesar disso, subterrânea e imensa, a onda continua e como para a praia na tua direção o trigo do meu corpo se inclina, espigas de dedos que te buscam, tentam tocar-te, se prendem na tua pele com força de unhas, as tuas pernas estreitas apertam-me a cintura, subo a escada, bato ao trinco, entro, o colchão conhece ainda o jeito do meu sono, penduro a roupa na cadeira, como uma onda para a praia como uma onda para a praia como uma onda para a praia na tua direcção vai meu corpo."

Solidão, desencontro, amor imenso... António Lobo Antunes.
Minha edição, autografada, é da Objetiva de 2006.