Nosso grupo tem vivido momentos
difíceis. Desde um desentendimento entre duas pessoas queridas, até o enfrentamento dos
percalços da vida, que se encontra em um momento muito especial para todas nós.
O pai de uma das amigas está em processo
de Alzheimer. Para que a situação fique mais confortável para todos, é preciso
trocar de casa, procurar ajuda, buscar o equilíbrio da família – pai, mãe,
filhos, marido e sobrinhos – busca que, praticamente sozinha, ela tem feito. A leitura
fica difícil, quase impossível. Ainda mais, quando ao mesmo tempo em que a
fúria do tempo da velhice se impõe, os deveres do trabalho, como professora,
não dão trégua.
Outra de nós tem mãe vizinha,
delicada e frágil, como são as mães de mais de 80. Tem filhos que estão
iniciando a caminhada, tem trabalho diário. Tem de dar a notícia que a mãe
acabou de perder uma irmã mais nova, enquanto se despede do filho mais novo que
vai rumo a uma aventura acadêmica em outro estado... mesmo assim, a leitura tem
– devagar e sempre – dado seus avanços, tem feito pensar.
Nossa amiga carioca vai ao samba
e cai de boca! Literalmente cai de boca na rua... ai,ai,ai mais um desafio!
Tipoia, sutura e o escambau para dormir feito o Drº House! Ela não para de ler,
não para, não para, não para! Mas, vamos concordar que dá medo voltar a
caminhar para o encontro do Book Club no CCSP. Engole seco, faz a mala, chama o
táxi e vamos que vamos!
A mocinha da Vila Mariana tem
enfrentado seus próprios momentos... um mistério, uns exames, o carnaval no
meio e... doutor, “A única coisa a fazer é tocar um tango argentino”. Que
nada... a melhor coisa a fazer é planejar uma viagem, buscar o site de estudos
das personagens e compartilhar. Ainda melhor é fazer umas fotos, dar um olá
para os amigos... ser incrivelmente gentil comigo. Obrigada, mocinha da vila!
E ela, aquela que sempre deixa o
final do livro para depois, está lendo! Está lendo, senhoras e senhores e
contribuiu com uma reflexão bem interessante no último encontro. Ele lê apesar
de... escola, marido, filha, irmão e irmãs. Ela lê por isso tudo. E ri de tudo,
e vai à festa, e tira foto, e compartilha com alegria... traz um bolo e faz festa.
Nossa leitura vai que vai... de
50 em 50, como il faut! Como tem de ser... assim combinamos, assim acordamos.
Ela lê entre barro e tinta, entre panelas e filhos... entre tempos distintos
para levar a vida e dar conta da vida.
Nossa leitura vai de vento em
popa? Vai segmentada? Quase interrompida?
Na cama, de madrugada... vai que vai.
O sono não vem? A leitura dá conta.
O som e a fúria dos tempos, o som e
a fúria da vida que nada significa.
Vamos Sísifo, vamos ladeira
acima, desta vez com Faulkner.
O som e a fúria da vida, contada
por vozes misturadas às nossas próprias vozes... cheias de som e fúria.
Life’s but a walking shadow, a poor player
That struts and frets his hour upon the stage,
And then is heard no more. It is a tale
Told by an idiot, full of sound and fury,
Signifying nothing.
(Shakespeare, Macbeth, ato V, cena V)